quarta-feira, 23 de julho de 2008

Tristeza

Em uma cidade longe das metrópoles, longe de tudo.
Sim, porque dizem que é em cidades isoladas que o mágico acontece.

Dizia-se ter um circo muito bom.
O circo era fantástico, seus shows traziam lágrimas de riso e emoção, mas o que realmente chamava a atenção de todos, era a genialidade do palhaço.

Dono de uma sensibilidade absurda, era capaz de fazer chorar ou rir sem medidas, tanto que ninguém voltava pra casa como antes. Todos estavam aliviados ao final do show, problemas esquecidos, paixões alimentadas, medos superados, traumas colocados na lata de lixo e risos, a alegria tomava conta das pessoas da cidade. E o circo não saía mais de lá. Ninguém permitia isso.

Os médicos locais, não tardavam a recomendar o circo como a cura para muitos problemas. O riso era tão bom, tão profundo e natural que se tornou terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas eram indicados pelo médico do lugar para que assistissem ao tal artista que possuía o dom de eliminar as angústias.

Certo dia, num consultório qualquer, um homem desconhecido, cabisbaixo, barba por fazer, olhar triste, caminhar desiludido, roupas esfarrapadas, tomado por profunda depressão, entra e pede ajuda ao médico.
O médico então, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de todas as dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros do nosso jeito perdido de ser. Era um gênio. Admirava-lhe que não soubesse disso.

O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou:
"É eu sei doutor, mas ele não pode me ajudar, ajuda muita gente, mas não pode ME ajudar. Não posso procurar o circo."

O doutor indignado perguntou o porque daquela afirmativa tão veemente e obteve a seguinte resposta:

"Aí está o meu problema: eu sou o palhaço".


Autores: Pi e um professor indignado.


Quantas pessoas procuram outras atras de uma ajuda ou uma conversa e não recebem nem isso, porque as pessoas ficam ocupadas demais com a solução obvia e clara, sem saber que o motivo daquelas soluções é você mesmo? Todo mundo desabafa, mas e com quem desabafa a outra pessoa??? Dificil né, tomar cuidado antes de falar as coisas sem saber com quem fala ou como fala.

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